sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Passarinhada no Parque Central
Relatório do Auge do Inverno
15 a 17 de Julho de 2016

  No inverno, muitas aves ficam em maior atividade, pois precisam de energia constante para o metabolismo de seu corpo, e nesta época do ano as ofertas de energia são mais escassas, causando assim, uma modificação no hábito de diversas espécies, incluindo algumas do parque:


  A primeira espécie encontrada no dia foi o pica pau verde barrado ( Colaptes melanochlorus), que logo cedo, já forrageava os galhos em busca de artrópodes, porém, sempre próximo ao comedouro de frutas, ao qual descia de tempo em tempo para se alimentar. 


  Os falcões de coleira ( Falco femoralis) estavam em constante atividade, indo e vindo para a paineira com galhos, para a confecção de seu ninho, sempre quando um individuo do casal saia pra buscar material, o outro ficava de sentinela, assim, iam revezando os postos.


  A coruja buraqueira ( Athene cunicularia) aproveitava o sol mais fraco do inverno, se expondo em um galho aberto, por onde observava todo o movimento abaixo dela.


  Neste inverno, o piolhinho ( Phillomyas fasciatus) reapareceu ao parque, e forrageava insistentemente a aroeira pimenteira em busca de insetos, que caçava pulando de galho em galho.


  O arapaçu de cerrado ( Lepidolaptes angustirostris) também caçava insetos insistentemente, porém, sua técnica é diferente da que as outras aves utilizam, ele sobe verticalmente o tronco das arvores, da base a copa, vasculhando as cavidades com seu bico, em busca de insetos e aranhas.


  A saracura sanã ( Pardirallus nigricans) aos poucos esta perdendo cada vez mais o medo dos humanos, movida pela fome, saia direto dos papiros, desfilando na frente dos visitantes, enquanto vasculhava em baixo das folhas secas de papiro na água, em busca de pequenos animais.


  No inverno, qualquer fonte de energia é aproveitável, inclusive um pedaço de pão doce esquecido em cima de um bueiro, que em poucos minutos, virou ponto de disputa de várias espécies, que apareceram para se alimentar, como o pássaro preto ( Gnorimopsar chopi), a pomba asa branca ( Patagioenas picazuro), o sabiá do campo ( Mimus saturninus) e o joão de barro ( Furnarius ruffus).


  Um grande destaque ao pássaro preto ( Gnorimopsar chopi), que colaborou bastante com as fotos.


  E assim que acabou o pão doce, as espécies desceram para o chão, onde continuaram o forrageamento, em busca de alimento.


  E enquanto as aves grandes e mais fortes forrrageavam no chão, as menores, como o saí canário ( Thlypopsis sordida), forrageavam nos arbustos e emaralhados, em busca de frutinhos e pequenos insetos, como lagartas.


  Algumas espécies, formavam bandos monoespecíficos, para facilitar a localização de alimento, um exemplo foram os periquitões maracanã ( Aratinga leucophthalma), que se agregavam ao visitar as árvores frutíferas, ficando sempre um sentinela, de olho, para avisar o bando em qualquer sinal de perigo.


  Já os sanhaçus ( Tangara sayaca), encaravam até mesmo os frutos azedos da Santa Barbara, aos quais eram consumidos durante todo o dia pela espécie.


  Já as sabiás se concentravam no abacateiro, para comer os abacates que estouravam no chão, porém, respeitavam uma hierarquia, a primeira a comer era sempre a sabiá laranjeira ( Turdus rufiventris), representada na primeira foto da sequencia, enquanto ela se alimentava as outras ficavam na arvore esperando sua vez, após a laranjeira vinha a sabiá barranco ( Turdus leucumelas), representada na terceira foto da sequencia, que acaba botando as outras pra correr, após ela se alimentar chegava a sabiá poca ( Turdus amaurochalinus), representada na primeira foto, para só depois, vir a sabiá coleira ( Turdus albicollis) e a sabiá una ( Turdus flaviceps), representados nas ultimas fotos, visitantes de inverno e os menores representantes da família no parque, só conseguiam se alimentar quando nenhuma outra sabiá estava presente no local.


  Os periquitos ( Brotogeris tirica) faziam a festa no mulungu do litoral, que floresce no inverno, trazendo alimento para muitas espécies, em especial para os periquitos, que não desperdiçam nada, se alimentando até das pétalas das flores.


  Além do mulungu do litoral, os periquitos se alimentavam também da frutificação da palmeira jerivá, onde se concentravam nos cachos da mesma, para ingerir os coquinhos.


  Os passarinhos insetívoros pequenos, também formavam bandos para facilitar o encontro de alimento no inverno, porém, faziam bandos mistos, com mais de uma espécie, onde vasculhavam os ramos mais altos das arvores em busca de pequenos artrópodes, no bandinho formado no parque estavam presentes a saíra de papo preto ( Hemithraupis guira), representada nas duas primeiras fotos, a mariquita ( Parula pitiayumi), representada nas três fotos seguintes, e a figuinha de rabo castanho ( Conirostrum cinereum), representada na ultima foto.


  Outro visitante de inverno que tivemos foi a maria cavaleira ( Myiarchus ferox), que aparece em todos os anos, em busca de frutinhos pequenos como os da aroeira, e insetos.


  E para finalizar a postagem, o reaparecimento da coruja orelhuda ( Asio clamator) no parque, segundo avistamento da espécie no local, desta vez foi um imaturo quase que adulto, e estava na mesma palmeira em que a primeira apareceu.





































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